Agenor Cavalcanti de Vasconcelos Neto |
SENTIDO MÍSTICO DA TRADIÇÃO DA TRAGÉDIA NOS POVOS DA FLORESTA AMAZÔNICA: O DIONÍSÍACO NIETZSCHEANO COMO IMPULSO CRIADOR RESGUARDADO NO RELATO ETNOGRÁFICO DE KOCH-GRÜNBERG DO RITUAL DE Koch-Grunberg, no proêmio de seu livro “Dois anos entre os indígenas” nos informa sobre a região percorrida, entre os anos de 1903 e 1905, no alto rio Negro, no Amazonas, explorando os seus afluentes Içana, Caiarý-Uaupés e Curicuriarý, para relato de impressões geográficas e etnográficas, recolhidos em viagem a uma região “parte conhecida e, em parte, completamente desconhecida” (GRUNBERG, 2005: 10). Estando ele a serviço do museu etnográfico de Berlim, tomemos, pois, as seguintes considerações primeiras sobre o ritual de “Danças e Mascaras” do povo Kobéua, segundo o relato de impressões do etnólogo: um rito de honras fúnebres em que se encarnam demônios da floresta, cerne do teor mítico-trágico do ritual. Confrontaremos, dois aspectos do ritual para contraste com as categorias estéticas metafísicas propostas por Nietzsche de apolíneo e dionisíaco, com foco nesta última, em dois momentos distintos da cerimônia Kobéua: o princípio, onde se iniciam as honras fúnebres e começa os ritos de encarnação dos demônios da floresta, corporificados nas Máscaras, onde percebemos características apolíneas; e o ápice, no qual as danças se transformam em representações falóforas, quebrando todo ritmo do festejo fúnebre, mas que é adorado pelos antigos, acima de tudo, como símbolo da fecundidade da natureza, dando teor expressivamente dionisíaco à cultura dos Kobéua.[...]. |